A CNA promoveu no passado dia 15 de Abril, no Auditório do Convento de São Francisco em Coimbra, o Seminário “Floresta, Incêndios, Recuperação e Prevenção”, contando com um painel constituído por Armando Carvalho, Presidente da Baladi e da Direcção da CNA, José Lobato, da Direcção da CNA, Rita Paiva, Técnica florestal da CNA, e João Dinis da Direcção da CNA.


As intervenções pautaram-se pela crítica à actual situação das florestas, dramática para as populações e para o País, destacando que a situação em que se encontra deve-se às más políticas adoptadas nos últimos anos. Estas políticas, permitiram que se desencadeassem alterações na ocupação cultural (aumento da área de eucalipto), o abandono da actividade agrícola e florestal e, em última análise, o abandono do mundo rural e a desertificação do território.

O painel destacou a actual desvirtuação do conceito de floresta, que desvaloriza a sua função múltipla em virtude da visão capitalista, na busca pelo lucro desenfreado das grandes empresas, com o preço da madeira à produção cada vez mais baixo (aumento do fosso na cadeia de valor) e o claro apoio de políticas públicas que remam neste sentido. É exemplo disso a desastrosa gestão governamental da situação dos agricultores e produtores florestais afectados pelos incêndios de 2017. Em contra ponto, para combater esta grave situação foi sugerida pelos intervenientes a urgente reabertura do processo de candidaturas de apoio aos afectados pelos incêndios, privilegiando a floresta multifuncional, limitação real à eucaliptização, melhor preço da madeira à produção e uma efectiva e consistente prevenção dos incêndios. Outro ponto muito referido, tanto pelo painel como pelos participantes em geral, foi o processo de limpeza das matas, levado a cabo pelo Governo de Portugal, tendo sido apontado como um “procedimento coercivo”. A crítica centrou-se também no modelo de gestão da floresta adoptado, “mais parece reduzir a floresta a uma gestão de régua e esquadro” que não respeita a própria natureza e demonstra um claro e evidente desconhecimento do território.

Por fim, os participantes da sessão enfatizaram a necessidade de combater estas políticas que destroem e agudizam a vida dos actores da Agricultura Familiar Portuguesa e do Mundo Rural, reforçando a mais-valia de se organizarem e lutarem por uma agricultura mais sustentável, pela coesão territorial e pela Soberania Alimentar do Povo Português.

Este seminário integra um projecto no âmbito de uma iniciativa comunitária promovida pelo PDR2020 (Operação 2.1.4 010028) e é co-financiada pelo FEADER, no âmbito do Portugal 2020.




22-05-2018

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